ÍNTIMO REVERSO é uma sondagem homoerótica que pretende deflagrar o abismo vertiginoso do amor homoafetivo em suas nuances e máscaras paradoxais, complexas e indefiníveis. Os versos buscam,aqui, a fluidez do afeto, o amor e os delírios da ãnima entre os quase-iguais.ÍNTIMO REVERSO para expor a poesia cotidiana ,lírica,áspera,erótica, contundente e múltipla de um caleidoscópio humanamente indecifrável.
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Cornucópia
As delícias que a boca a.prova:
orgia em frutos futuros, cedentes.
Dis.postos em caldas vermelhas
sonhando a saliva no céu.
Da boca é a gula que jorra:
leitosa nata de malícia mama.
Escorre, corre, espolca, espalha...
O melaço da delícia, o deleite,
o delito, o delírio...
E no tacho o mel do melhor:
a rapa e a borra - Orra!!!
Nas bacantes saladas de amores
o suco, os sulcos, reentrâncias de açúcar.
Nos manjares a língua nervosa, estérica
e entre os dentes a carne mordida.
O molho cítrico e picante
no gozo do paladar diverso
versa o escândalo rubro do lábio
em ardente pimenta sádica.
O sal do suor na pele leguminosa:
raízes penetrantes sem fim.
As volúpias da mesa estão servidas:
clamam gônadas de apetite,
penetrantes línguas mucosas,
boca Baco - o belo!
loucura,gula dos suplicantes
em bandos na mesa farta
Pletora flora flores,
frutas frescas, leguminosas
e um mar de prazeres se abrindo
para a colheita do amor.
- Evoé, Noé!!!!
Torres Matrice
domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 21 de agosto de 2010
CLOWNstrofobia
Daqui não saio
daqui ninguém me tira
mentira!
tanta ment-ira
me tira do sério
sério!
já não suporto o ar
ar/mários
mários que são marias
marias que são mários
mar e rios sem desaguar
CLOWNstrofobia dentro de mim:
palhaço da farsa
o mundo fecha portas
o mundo gosta da beleza falsa
trocando uma verve
trancando uma vida
ávida Eva que podia ter sido
lívido Ivo
e não foi
foi-se o Machado e ficou a Norma:
é a lei da selva!
matando a si mesmo pra sobreviver
à sombra de um armário
ar, Mario! Ar!
Só quero ar...
ar pra respirar pra não pirar não piorar
luz pra espantar toda essa escuridão
o vão de não ser
o ser de ir em vão
vão-se os dedos
e os aneis
vão
pela vida afora
fora de mim dentro do armário
mal visto a roupa errada
O mau escutado
por detrás de uma porta
quase sem voz quase sem vez
quase sem arma-
Mario!
sem arma para lutar
e só.
20/12/2008
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