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sábado, 21 de agosto de 2010

CLOWNstrofobia





Daqui não saio 
daqui ninguém me tira
mentira!
tanta ment-ira
me tira do sério
sério!

já não suporto o ar
ar/mários
   mários que são marias
   marias que são mários
mar e rios sem desaguar


CLOWNstrofobia dentro de mim:
palhaço da farsa

o mundo fecha portas
o mundo gosta da beleza falsa
trocando uma verve
trancando uma vida 
ávida Eva que podia ter sido
lívido Ivo
e não foi
foi-se o Machado e ficou a Norma:
é a lei da selva!
matando a si mesmo pra sobreviver
à sombra de um armário

ar, Mario! Ar! 
Só quero ar...

ar pra respirar pra não pirar não piorar
luz pra espantar toda essa escuridão

o vão de não ser 
o ser de ir em vão
vão-se os dedos 
e os aneis
vão
pela vida afora
fora de mim dentro do armário


mal visto a roupa errada
O mau escutado
por detrás de uma porta
quase sem voz quase sem vez
quase sem arma-
Mario! 
sem arma para lutar
e só.




20/12/2008

ZECA BALEIRO - com humor, inteligência e sensibiidade aborda um tema caro à comunidade GLBT. Um homem de VERDADE, acima da média medíocre do homem latino de países do terceiro mundo...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pêssego

 






Elas são a potencialidade frutífera
o delito, o delíquio e o deleite!
Fragilidade das quimeras
mera seda do pêssego ruborizado:
rosicler clarão!

Meninas ascendentes de Safo:
Espreitam o futuro
nova ilha de Lesbos.

A superioridade do amor
na poética grega
de toda mulher amada.

O peso da pluma no toque
pétala gêmea!
Feminina delicadeza
e a força masculina 
na refração do amor.

A extensão homoerótica
na frutescência do ser,
ao toque da rubra língua,
e a intumescência dos seios:
Estética do amor suave...

Poesia da ilha grega,
arrebol da liberdade,
nos pares de Lesbos:
À fina flor da menina
afina a flor do menino!

Tudo desabrocha:
tudo se abre...
tudo floresce...
tudo amadurece!

Elas sabem que a outra metade 
é o seu igual
como a metade de um pêssego
será sempre
pêssego!




Torres Matrice


12/02/96