ÍNTIMO REVERSO é uma sondagem homoerótica que pretende deflagrar o abismo vertiginoso do amor homoafetivo em suas nuances e máscaras paradoxais, complexas e indefiníveis. Os versos buscam,aqui, a fluidez do afeto, o amor e os delírios da ãnima entre os quase-iguais.ÍNTIMO REVERSO para expor a poesia cotidiana ,lírica,áspera,erótica, contundente e múltipla de um caleidoscópio humanamente indecifrável.
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sexta-feira, 20 de março de 2009
sábado, 24 de janeiro de 2009
O Nome do Amor

1
Ouso sim:
sou assim.
uso e soul
o mais que
sôo
se é meu
mel ou mal
dou-não-dou
ou não o dôo
a ninguém
oculto o nome
o nome que é todo meu
tá na cara
tá no jeito
no trejeito
não rejeito
tá na veste
tá na voz
tá no visgo
tá em nós
no viés
e no convés
no convento
e no conviva
no convite
e no convir
2
Leia a lei que eu mesmo assino:
lei é a lei que eu mesmo traço
faço a linha e assino embaixo
nosso amor, macho com macho
eis, meu nome! eis meu rosto!
fêmea e fêmea:
femeeiro
um roçar de amor em pelo
é de fêmeas é de fome
um cantar tão femeado
assinando todo nome
nomeando todo rosto
fica assim posto o que é posto
o gosto que Deus me deu
se doeu de ser assim
meio-flor-meio-espinho
todo ele assim inteiro
assim mesmo
caminheiro
ser sozinho e ser à parte
que me importa o que me aporta?!
eu assino e faço gosto
leia o nome no meu rosto
tá aqui na minha cara
mas à tapa não me dou
não viro a face - ofício fácil
no vir à face encaro a ofensa
cara a cara: tête-à-tête
encaro e pago o preço
barato já não faço
nem pelica nem latex
nem jontex - dura lex
é a lei do meu desejo!
não se abate nem com flor
decepo a mão que me en.calça
que aqui não se me baste
o nome de todo amor
Ouso sim
o uso sábio
ser assim
ou ser assado
sou assim
assino a sina
eis, meu nome
assinalado
porque o amor é mais além
24/01/2009
Ouso sim:
sou assim.
uso e soul
o mais que
sôo
se é meu
mel ou mal
dou-não-dou
ou não o dôo
a ninguém
oculto o nome
o nome que é todo meu
tá na cara
tá no jeito
no trejeito
não rejeito
tá na veste
tá na voz
tá no visgo
tá em nós
no viés
e no convés
no convento
e no conviva
no convite
e no convir
2
Leia a lei que eu mesmo assino:
lei é a lei que eu mesmo traço
faço a linha e assino embaixo
nosso amor, macho com macho
eis, meu nome! eis meu rosto!
fêmea e fêmea:
femeeiro
um roçar de amor em pelo
é de fêmeas é de fome
um cantar tão femeado
assinando todo nome
nomeando todo rosto
fica assim posto o que é posto
o gosto que Deus me deu
se doeu de ser assim
meio-flor-meio-espinho
todo ele assim inteiro
assim mesmo
caminheiro
ser sozinho e ser à parte
que me importa o que me aporta?!
eu assino e faço gosto
leia o nome no meu rosto
tá aqui na minha cara
mas à tapa não me dou
não viro a face - ofício fácil
no vir à face encaro a ofensa
cara a cara: tête-à-tête
encaro e pago o preço
barato já não faço
nem pelica nem latex
nem jontex - dura lex
é a lei do meu desejo!
não se abate nem com flor
decepo a mão que me en.calça
que aqui não se me baste
o nome de todo amor
Ouso sim
o uso sábio
ser assim
ou ser assado
sou assim
assino a sina
eis, meu nome
assinalado
porque o amor é mais além
24/01/2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Viagem das Mãos

A viagem das mãos:
Táctil amor tácito
intacto amor poroso-
à flor da pele -
imprime o gesto,
o calafrio-arrepio...
O Amor eriça o Prazer
atiça o desejo no beijo
ascende à fantasia
quando acende a luz do espírito
e aviva a brasa do coração
que desliza entre os lençois...
A viagem dos dedos
nas reentrâncias do corpo:
O pêlo, o apelo, o apego pela pele
o apuro nas pontas dos dedos.
A prestidigitação da amante e a ilusão do fogo:
Eros brinca na pirotecnia das amantes...
Bacantes entrelaçadas
alçadas às borilações
O falar lésbio na ponta da língua.
A viagem das digitais - mapa do delírio -
desbravando a geografia fêmea,
uma trilha rósea, úmida e quente.
A gentileza do amor cego
guiando as mãos, guiando os dedos
na leitura do sagrado, na poesia da pele:
anagliptografia - suor e pele.
- Rumo à safra em que me Safo
( o Amor diria )
eis a flor desabrochada!
Efêmera fêmea e fêmea...
Tocar o tesouro das gostosuras
as pedras brihantes, o olhar de amante,
a Safira - tocar safira...
Sáfica Safira safada!
Erétil herege,
o dedo alongado em fermata:
uma espiã na casa do Amor.
No ponto G do gemido
um oceano abunda
e transborda o momento
e rasga os lençóis e enxarca,
e obriga o corpo estérico e cansado
ao exausto, exangue, exaurido
SILÊNCIar
23/01/2008
sábado, 6 de dezembro de 2008
Na morada do Desejo

Aqui nesta morada o Desejo pletora
em cada fração de tempo:
Quatro quartos desta casa
é um meio em que se divide
o inteiro do Querer -
esta fruta do perigo! -
que se expõe,
com sua natureza de se/mente,
em um cesto de temor.
O Pecado mora dentro,
num terço desta prece,
onde a Súplica reza à parte
um quinto deste inferno.
Quanto se sabe da missa,
da pressa do meu rosário?!
Enfiada de 165 contas,
que eu não sei calcular,
são desejos gozosos:
15 dezenas de ave-marias
e 15 de padre-nossos
no lombo da Tentação.
Reparta apresse!
A tração é o diabo
na potência de dez:
A traçanga e a picadura,
a volúpia e a maciez
da hipotenusa mariposa
neste triângulo onde cada lado
é o imposto do Amor.
A atração é o céu
das nossas línguas
na raiz do incalculável.
O Desejo é inteiro
mesmo quando repartido
na metade de dois corpos.
Querer é fracionar-se
entre o estímulo e a frustração.
Quanto mais se divide a Vontade,
tanto mais se reparte a Ilusão.
Fracionários Nós
no coração bilateral:
transposição, hiperbibasmo:
sístole e diástole.
Entre Ele e entre Ela:
- Todos são bem-vindos!
22/01/2009
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Revestimento

Mente:
a imagem mente no espelho...
Ela não reconhece o homem no reflexo:
Plexu-complexo,enlaçamento sem nexo
-Sexo? Que sexo?!
Um estranho em si mesmo,
o desejo cobre o lábio com baton:
Pinta-se a alma feminil na tela do espelho,
cobre-se o invasor
na pintura especular
com as tintas da alma, as cores do desejo:
O estranho vai sumindo...
Ela quer surgir de dentro para fora
ela quer Ela!!!
E a imagem se projeta:
Kosmetiké téchne - um projeto de vida,
a arte de adornar, de (re)vestir a dor.
Do caos emocional para o kósmos
o cosmético
a ordem, a disciplina, a organização
no desenho do pincel, no rímel,no creme,
no pó, nos artigos de touc(a)dor...
Os cílios, os supercílios,o superhomem
Os olhos transmutam a visão da ferida:
Nasce uma estrela!!!
Enfim,a mulher profunda e real!!!
A imagem já não mente:
É Ela! É Ela!!!
Cobra o pau entre as pernas,
paga os pecados do mundo
- o medo já não há -
a Serpente expulsa do paraíso
Adão e Eva brincam de esconde-esconde
e os tolos procuram em vão
o inexplicável de Deus.
Silvio Torres
01.12.2008
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Transamérica - Assista, aprecie, divirta-se...
"Transamérica" agrada, comove, emociona e convence, não necessariamente nesta ordem, mas em momentos oportunos e delicados que são muito bem distribuídos neste roteiro genial. O destaque fica por conta de Fionnula Flanagan, mais conhecida como a governanta misteriosa de "Os Outros", mãe de Bree, que não aceita a condição do filho, mas ao saber que tem um neto, passa a curtir o momento e protagonizar momentos de pura gargalhada e reflexão. Bree, apesar de tudo, parece realizada, mas ainda tem dois grandes desafios pela frente: revelar ao filho sua verdadeira condição de transexual e também a de "pai". Gabriel Garcia Bernal faz uma ponta no longa. O filme de Duncan Tucker, ganhador do Globo de Ouro e indicado em duas categorias ao Oscar.
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